Massimo Canevacci, teórico contemporâneo da antropologia da comunicação urbana, no seu livro “A Cidade Polifônica” (2004), é de opinião que “Manter intacto e imutável todo patrimônio das casas da avenida teria significado museificar a cidade, torná-la estática, insensível ao sentido de mutação que caracteriza nossa cultura”. Mas logo em seguida, acrescenta: “Seria um grave erro eliminar todas as referencias do passado”. (2004, p.2002).
A exposição ora apresentada pelo IHGP, pela arte de Sebastião Godinho, fala da eliminação desse passado. Não obstante, convida o visitante para completar os desenhos selecionados não com os olhos de tristeza próprios da “nostalgia”, palavra cuja matriz grega sublinha a “dor” (algia) pela “volta” (nostos) do passado. Ao contrário, convida para um olhar disposto a reivindicar o sentido da plenitude, não daquilo já vivido, mas do que ainda é possível fazer reviver em relação a nossa memória coletiva.
* Mestre em Antropologia (UNICAMPI). Sócia efetiva (Cad. 12) e atual presidente do IHGP.
Edição Geral: Robson Wander Costa Lopes